Vídeos

Amanda Somerville & Michael Kiske
Silence


Login






Recuperar senha perdida
Fazer novo cadastro


Expomusic2010

Home
[14/07] ROCK BRIGADE confere “The Big Four” em São Paulo

The Big Four

UCI Shopping Jardim Sul, SP/SP (24/06/10)

 

Por Fernanda Lira

 

Mal havia começado a turnê internacional das Big Four – Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica, as quatro lendas do thrash metal – e os fãs dos quatro cantos do planeta já ouviam a primeira boa notícia sobre o evento: pela primeira vez na história, um show seria transmitido simultaneamente para vários cinemas ao redor do mundo via satélite. Ao todo, cerca de oitocentas salas de cinema, em trinta e um países na América do Norte, Europa e América Latina, abriram suas portas para um espetáculo de música pesada, ou melhor, para O espetáculo de música pesada, afinal, o que se viu foi uma apresentação digna de infinitos elogios.

 

Em São Paulo, apenas uma sala inicialmente iria fazer a transmissão. Porém, a intensa busca por ingressos fez com que uma exibição extra fosse anunciada: os dois cinemas contemplados foram o do Shopping Eldorado e do Shopping Jardim Sul. A ROCK BRIGADE compareceu a esta última para conferir esse momento inédito para o heavy metal.

 

Antes de o show começar, a sala já se encontrava parcialmente cheia, e a telona já passava algumas cenas: nenhuma banda no palco, apenas imagens do público e das áreas internas do festival itinerante Sonisphere em Sofia, na Bulgária, onde o evento foi gravado. Sim, gravado. Muitos achavam que a transmissão seria ao vivo, mas não foi. O show foi gravado um dia antes do exibido, provavelmente para evitar problemas com a transmissão ao vivo e também considerando os diferentes fusos-horários dos paises contemplados pela exibição simultânea. Isso pôde ser percebido primeiro pelo fato de alguns shows terem sido gravados à luz do dia (enquanto no Brasil eram nove horas, em Sofia seriam quatro da manhã, por isso seria inviável que tudo ocorresse ao vivo) e também por causa da boa edição do filme.

 

Com os fãs ainda tímidos em suas cadeiras, a sessão foi iniciada com o show do Anthrax que já contava com um ponto positivo logo de cara: a volta de Joey Belladona. Os fãs mais ‘old school’ não conseguiram se segurar por muito tempo, e logo era possível ver algumas pessoas ficando em pé, fazendo air guitars e cantando com os punhos rumo à tela, como e sentissem a emoção de um show de verdade. Mas também, com o set list matador selecionado pela banda era muito difícil de conter os ânimos: abrindo com Caught in the Mosh, Got the Time e Madhouse sem parar, os fãs saudosos se deleitavam, ainda que contendo sua euforia. Depois de Antisocial, cover da clássica e ótima banda francesa Trust, foi a vez de Indians ( que teve direito à coreografia de um punhado de pessoas nas primeiras fileiras), na qual foi feito um medley com Heaven and Hell, do Black Sabbath, em homenagem ao mestre Ronnie James Dio, que falecera há pouco mais de um mês.

 

O fim do set ficou a cargo de Metal Thrashing Mad, do maravilhoso Fistful of Metal e I am the Law, cujo peso ficou impressionante graças ao surround da sala.

 

Sem pausa alguma (o que prejudicou os vários desavisados que deixaram a sala crendo que haveria um ‘descanso’ entre uma banda e outra), subiu ao palco o Megadeth, para delírio visível da platéia no cinema, com o hino Holy Wars seguido de Hangar 18, durante a qual vários adolescentes, provavelmente fanáticos pela banda por causa do jogo Guitar Hero, bangueavam sem parar. Uma cena bonita de se ver, que prova que o metal continua a se manter firme de geração a geração.

 

Quebrando a seqüência do set list que a banda vinha tocando em sua última turnê, na qual executavam na íntegra o álbum Rust in Piece, a nova Headcrusher foi tocada debaixo de chuva para quem estava no Sonisphere. Felizmente, isso não atrapalhou o profissionalismo de Dave Mustaine que seguiu interpretando In my Darkest Hour, Skin on My Teeth e Hook in Mouth.

 

Claramente uma das músicas preferidas da platéia, Sweating Bullets foi tocada e podíamos ver uma fã fazendo os mesmo trejeitos que Mustaine usava para ‘encenar’ a letra da música. O set foi brutalmente encerrado com Symphony of Destruction (talvez o ponto alto do show para quem estava presente no Jardim Sul) e ‘Peace Sells... But who’s Buying?’ emendada com o solo final de Holy Wars, assim como foi feito no show que eles fizeram no Brasil em abril.

 

Durante o que parecia ser o fim da tarde em Sofia, era a vez de uma das bandas mais esperadas da noite: ao aparecer  o logo do Slayer na tela, vários fãs começaram a gritar pelo nome do grupo e até a beijar suas camisas da banda. A emoção era tanta que um fã, na verdade quase um sósia do Kerry King, guitarrista do quarteto, desceu as escadas, se posicionou em frente à tela do cinema e gritou para aqueles que ainda estavam sentados nas poltronas: “Vamos levantar! É Slayer, porra!”. O pedido foi atendido e durante as três primeiras pedradas, World Painted Blood, War Ensemble e Hate Worldwide, podia-se ver na sala várias cabeças girando e coros uníssonos cantando as letras dos refrãos.

 

Após Seasons in the Abyss, cuja execução foi impressionante (principalmente na parte dedilhada e mais cadenciada do início da música, que foi perfeita), um dos pontos altos da noite. A clássica Angel of Death parecia ter despertado de vez os headbangers: muitos desceram a escada correndo, e formou-se um enorme circle pit com direito a bate cabeça na área livre à frente da primeira fila. E acreditem, a roda estava tão intensa e parecida com a de um show de verdade, que era muito mais legal ver os brasileiros agitando ali embaixo do que os europeus timidamente se ‘espancando’ no filme. A alegria não durou muito. Durante o final, e quase metade da Mandatory Suicide, o som da sala foi simplesmente cortado. Foi avisado que o áudio não voltaria até que todos regressassem aos lugares, o que demorou um pouco e causou certo incômodo nos presentes que se sentiram reprimidos.

 

Finalizando o set, Chemical Warfare, South of Heaven e Raining Blood consolidavam o show do Slayer o mais intenso da noite até então.

 

Ao invés da entrada na seqüência do Metallica, uma surpresa agradável. Kerry King, em uma entrevista no backstage, falava sobre Dio, prestando uma homenagem bem simples, mas muito sincera. O mesmo fizeram Lars Ulrich, baterista do Metallica, Scott Ian do Anthrax e Dave Mustaine. Sim, um ao lado do outro trocando idéias entre si sobre suas experiências com o falecido ícone do metal. Aí estava a primeira cena inesperada: Lars e Mustaine, antigos arqui-inimigos, pacificamente conversando. Mas isso não era nada perto do que falaremos mais adiante.

 

Com um set um pouco parecido com o tocado em sua turnê pelo Brasil em janeiro, o Metallica subiu ao palco, arrancando urros das platéias – tanto na Bulgária quanto aqui, no Brasil – com as consagradas Creeping Death, For Whom the Bells Toll e Harvester of Sorrow, seguidas de um solo de Kirk Hammet. Logo após, a queridíssima Fade to Black, durante a qual ficava nítida a emoção dos fãs: letra inteira na ponta da língua de uns, outros de olhos fechados e até lágrimas podiam ser vistas. Incrível como a música, principalmente o metal, consegue marcar e mexer tanto com as pessoas. Após uma única música do cd novo, o set seguiu com as pirotecnias no palco imitando as explosões em um campo de batalha: era a vez de One, seguida de Master of Puppets, que, assim como a ‘balada’ citada anteriormente, parecia significar algo de especial para um grupo de quatro homens, beirando os 50 anos, que se levantaram e fritavam todos e riffs e solos da música em seus air guitars. Depois de Nothing Else Matters, na qual James Hetfield, como de costume, exibiu sua palheta para as câmeras, que focaram ‘The Big Four’ gravado na mesma, era a vez de até o segurança do cinema participar da festa, cantando a letra INTEIRA de Enter Sandman como se também estivesse vendo a banda ao vivo.

 

Agora, sem dúvida alguma, o ponto mais alto e emocionante da sessão. Após James discursar sobre quão orgulhoso estava por tocar com outros três grandes nomes do metal, que vêm tocando com muita vida e garra por trinta anos de estrada, anunciou o cover da  noite: Am I Evil, do Diamond Head. A alegria, a satisfação, o sentimento que todos sentiram ao ver no palco os integrantes de todas as bandas (exceto pelo trio de cordas do Slayer) portando seus instrumentos, se abraçando e conversando e tocando ali, unidos por um único ideal de satisfazer os fãs são indescritíveis.

 

Após o clímax insuperável, o set foi encerrado com duas porradas das antigas: Hit the Lights e Seek and Destroy, que marcaram o fim, me perdoem o palavreado, desse PUTA show.

 

Não foi apenas um show. Muito menos mais uma simples sessão de cinema. Foi algo a mais.  Eu, particularmente, me senti como se fosse um headbanger dos anos oitenta assistindo ao US Festival, por exemplo, em um cinema como o Carbono 14, que foi a segunda casa de grande parte do público rock e metal em 1984 com suas exibições de shows na telona. Além disso, dá orgulho saber que um estilo tão criticado por muitos tenha conseguido um espaço tão notável no cenário musical com um evento inédito desses. O melhor: The Big Four não ficará em apenas uma exibição. Nos dias 23 e 24 de julho, dezenas de salas espalhadas por diversos estados do país exibirão o show novamente. Parece que a idéia agradou. E que se torne comum, para nosso delírio!

 
< Anterior   Próximo >
 

Matérias Online

Publico (1).jpg 

GRASPOP
Três dias de show na Bélgica

gravacao do dvd em novo horizonte.JPG 

MADE IN BRAZIL
Shows em três cidades

DaveMustaine_NYC_08-08 (4).jpg 

DAVE MUSTAINE
Lançamento de livro em NYC

TortureSquad_SP_FernandaLira (4).JPG 

TORTURE SQUAD
Especial no Hangar 110

biohazard_SP_TMarim (7).jpg 

BIOHAZARD
Show para fãs em SP

© 2010 Rock Brigade