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[15/07] Cobertura completa do documentário do Rush

Rush – The Documentary

Cinemark Shopping Santa Cruz, SP/SP (17/06/10)

 

Por Fernanda Lira

 

No último dia 17 de junho os corredores do Shopping Santa Cruz, em São Paulo, estavam um pouco diferente: muitas pessoas de preto e outras dezenas com camisas do Rush faziam fila em frente ao cinema, ostentando um sorriso que mesclava satisfação e ansiedade ao mesmo tempo. O motivo? Finalmente, após alguns meses de especulação, a produtora Banger Films Inc. dos diretores Scot McFadyen e Sam Dunn, que anteriormente já havia feito filmes voltados ao público headbanger, lançava no país “Rush – The Documentary”, o maior registro da banda corretamente apelidada de “Holy Trinity of Rock”, que foi exibido em sessão única no Brasil.

 

Apesar da pouca divulgação, quem deixou para adquirir os ingressos na última hora, ficou de mãos abanando: estes haviam se esgotado nas primeiras horas do próprio dia da exibição.

 

Com tantas bandas também de grande porte pelo mundo, por que era a vez do Rush ter seu próprio documentário? A resposta ficou evidente logo nos primeiros minutos do filme, que são recheados de depoimentos de músicos do Rock e Heavy Metal, como Mike Portnoy, do Dream Theater, Vinnie Paul, ex-Pantera, Sebastian Bach, ex-Skid Row, que, aliás, chegou a arrancar risadas do público presente com seu jeito irreverente de expressar sua opinião, e até Jack Black, o astro do cinema já conhecido por sua ligação com tal estilo musical por causa de filmes como ‘Escola de Rock’ e ‘Tenacious D’.

 

Além dos óbvios porém importantíssimos argumentos sobre o grau de perfeição das composições e o poder de influência da banda sobre grande parte dos músicos do rock, uma das sustentações mais plausíveis veio da boca de Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, que alegou que o Rush sempre foi menos valorizado do que deveria. Apesar de respeitada e idolatrada por muitos, poucas vezes a banda pareceu ganhar o destaque pertinente à sua excelência.

 

Após esse momento inicial, o filme segue contando a trajetória do trio, não apenas musicalmente, mas também expondo detalhes da vida pessoal de cada um deles, o que torna o documentário algo muito além do que uma coletânea de vídeos raros, pois mostra que as evoluções e assuntos particulares dos membros quase que ajudam a explicar as transformações de cada álbum da banda assim como cada passo de sua carreira.

 

De forma bem humorada (aliás, este é um dos principais pontos positivos do filme: ao invés de apenas juntar as informações, os diretores, através da montagem e edição de cenas, conseguiam fazer os fãs rirem mesmo quando não havia piada alguma, apenas por causa do modo como determinada cena havia sido construída), Geddy Lee e Alex Lifeson comentam fatos de sua infância, como quando se conheceram ainda na escola ou quando decidiram pedir seus primeiros instrumentos a seus familiares. Aliás, os pais de todos os integrantes dão depoimentos preciosos em relação a seus filhos, o que facilitou o público a entender quão grande o comprometimento dos membros com a música sempre foi tão intenso.

 

Durante essa parte, fotos de infância e até vídeos de discussões em família são mostrados, deixando claro que características que vemos ainda hoje em ambos (como o senso de humor de Lifeson e a ‘beleza’de Geddy) os acompanharam desde pequenos.

 

Os depoimentos que compõem a explicação da origem da banda são muito interessantes: sobre a época com o baterista John Rutsey, o Rush conta como se sentiam ‘assustando’ pessoas com sua música em festas promovidas pela escola e também sobre sua reação de se reunir em uma lanchonete e discutir como dominariam o mundo, após terem ganhado seus primeiros dez dólares de cachê.

 

Adiante, o filme discorre sobre como aqueles três jovens foram ‘descobertos’ e levados a gravar seu primeiro disco e tocar nas paradas americanas, além de esmiuçar os motivos pelos quais Rutsey havia deixado a banda, que em dado momento passou a preferir fazer experimentações sonoras, fugindo daquele padrão mais agressivo que haviam consolidado no início da carreira, o que desagradou o antigo baterista, e deu espaço para a entrada do ‘the new guy’, o cara novo, Neil Peart.

 

Surpreendendo a todos, esse brilhante baterista falou – e muito – sobre sua trajetória no Rush. Foi de emocionar ver uma pessoa tão reservada como Peart falando com uma desenvoltura incrível e até com certa dose de humor diretamente aos seus fãs através do filme.

 

Assumindo a fama de ‘nerd’, Neil conta que sempre foi muito ligado à leitura de temas variados, o que o ajudou a desenvolver tamanha habilidade em compor letras tão bem escritas, no que diz respeito tanto à temática, quando ao vocabulário mais ‘rebuscado’ para o estilo. Se levarmos em consideração Gene Simmons quando disse que após os shows com o Kiss, os garotos do trio, ao invés de aproveitar as festas voluptuosas nos backstages e hotéis, aproveitavam o tempo livre para assistir televisão, ler, e criar sons novos, parecia que Neil Peart havia encontrado seus parceiros ideais!

 

Disco a disco, a história continua a ser contada: são comentadas as mudanças de composição, as músicas mais longas e complexas, a fase de sofrimento de Alex, quando os teclados dominaram a banda, os clipes (ahh, ‘Times Stand Still’! Quanto requinte em um clipe só!! haha) e também a aceitação das críticas. E acreditem, as más línguas para eles não foram poucas.

 

São mostrados artigos de jornais e revistas recheados de críticas negativas, que os classificavam das piores maneiras possíveis: “A banda é uma massa cancerígena na música”, “o vocalista canta como um rato preso em uma ratoeira” ou como “um hamster sendo esmagado”. Nem precisa dizer que os jornalistas que escreveram isso no passado devem morrer de vergonha por ter cometido esse crime!

 

Junto com esta, outras dificuldades abateram a banda, e, a maior delas foi, sem dúvida, a morte da esposa e também da filha de Neil Peart. O baterista não pôde suportar tal baque e por isso, contam todos os membros, passou por uma fase bem peculiar: tentando encontrar sentido pra vida junto à natureza, Peart pegou sua moto e viajou pelo país inteiro sem dar notícias, salvo raros cartões postais assinados por pseudônimos enviados aos amigos mais próximos.

 

Era o fim da banda? Durante um bom tempo, acreditaram que sim, pois Neil não se encontrava em condições de voltar a tocar e Lee e Lifeson não poderiam seguir sem ele.

 

Felizmente, Vapor Trails veio para mostrar que o Rush estava mais vivo que nunca e ainda na memória dos fãs, como os brasileiros bem mostraram no Rush In Rio, DVD gravado no Maracanã há oito anos atrás.

 

Parece que eu falei muito durante a resenha? Não, não desista de ver o documentário. Os detalhes e imagens durante as quase duas horas de filme conseguem contar a história muito melhor do que cinco textos iguais a este juntos poderiam.

 

Mais um documentário, após o do Iron Maiden e dos veteranos do Anvil, que confirma quão forte o rock é, além de deixar uma esperança que esse formato se torne mais comum ainda. Já pensou se o próximo trio homenageado for o ZZ Top?  Cineastas, mãos à obra!

 
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