[19/07] Theatre of Tragedy fez show de despedida em São Paulo
Theatre Of Tragedy
Carioca Club – São
Paulo (27/06/2010)
Por João Gobo
Com praticamente dezoito anos de estrada, o Theatre
Of Tragedy alcançou o status de ícone no que se convencionou chamar de gothic
doom metal, subgênero do metal no qual predominam vozes guturais em contraponto
aos vocais femininos, no melhor estilo do clássico da literatura francesa, A Bela E A Fera...
Tornaram-se referência com o lançamento do
aclamadíssimo Aégis, no final da
década de noventa e pagaram o preço por ousarem ao flertar com outros gêneros
como a música eletrônica nos álbuns Musique
(2000) e Assembly (2002).
Essa passagem pelo Brasil pode ser considerada
especial pelos fãs. Além de promoverem o último trabalho, Forever Is The World (2009), esse show marcou também a despedida da
banda que promete encerrar suas atividades em 2 de outubro de 2010, quando
completam 18 anos.
Desde que os primeiros anúncios foram
veiculados, com uma certa antecedência, muito se falou e especulou a respeito,
o que gerou uma forte expectativa por parte dos fãs, mas ao contrário do que
imaginei, não foi um show daqueles lotados, abarrotados de pessoas ansiosas pelo
que seria a única oportunidade de ver seus ídolos. Infelizmente, o público que
compareceu estava bem aquém do que era esperado...
A abertura ficou a cargo das bandas Volúpia de
Baco e Ravenland. Os goianos do Volúpia fizeram uma apresentação bastante tímida.
Era nítida a satisfação dos membros da banda por estarem participando do
evento, mas faltou um pouco de traquejo para interagir com os poucos presentes.
Destaque para a música Nighmare Or Dream.
A Ravenland é uma banda que vem batalhando
arduamente no underground nacional e graças aos seus esforços vem colhendo
frutos. De todas as apresentações que já assisti, essa foi uma das mais coesas,
todos os integrantes se mostraram bastante relaxados no palco e souberam agitar
a galera. Outra coisa que fica cada vez mais inegável é a influência latente de
Moonspell!!! O repertório foi totalmente baseado no CD ...And A Crow Brings Me Back, com destaque para as músicas The Last Sunset, End Of Light, Soulmoon e Zodiac.
Após um breve intervalo para desmontar e acertar
os equipamentos o TOT subiu ao palco com Hide
And Seek, do último disco seguida de Bring
Forth Ye Shadow, do segundo disco e Lorelei
do famoso Aégis que fez com que o
público (agora um pouco maior) agitasse bastante. A banda não é das mais
comunicativas, mas soube conduzir o show muito bem para satisfação de todos. Na
seqüência vieram Frozen, Ashes and Dreams, A Rose For The Dead e Fragment,
da fase mais eletrônica.
Muitos dos fãs da banda, abertamente,
reverenciam a cantora Liv Kristine que fez parte da fase áurea do grupo, mas
sua sucessora, Nell Sigland não deixa nada a desejar, esbanjando carisma e se
mostrando uma ótima cantora.
A apresentação continuou com Venus, Hollow, Storm, Image, Casandra que também foi muito bem recebida pelos fãs, A Hamlet For A Slothful Vassal (única do
primeiro disco) e Fade que encerrou a
apresentação.
Após um curtíssimo intervalo, a banda voltou com
mais uma da fase eletrônica, Machine
e o clássico Der Tanz Der Shatten.
As cortinas se fecharam, as luzes se acenderam,
a casa abriu suas portas para a saída dos presentes e quando tudo realmente
parecia ter acabado, a vocalista retorna ao palco e num breve discurso agradece
a toda equipe técnica e ao apoio dos fãs por todos esses anos e a banda retorna
para encerrar definitivamente com Forever
Is The World.
Um show com tantos epítetos: primeiro, único e
último... Realmente o que faltou mesmo foi a presença do público, mas é
interessante notar que mesmo pequeno, era formado por pessoas de várias partes
do país, que não mediram esforços para presenciar essa despedida.