A banda de death/thrash metal Torture Squad,
veterana em seus mais de 15 anos de carreira, escolheu sua cidade natal como o
lugar ideal para finalizar a longa e bem sucedida turnê de seu último álbum Hellbound, lançado em 2008. O show de
encerramento trazia consigo muita expectativa principalmente por conta dos fãs
que, mesmo horas antes da abertura das portas, já faziam volume na frente da
casa e no bar ali próximo.
A abertura do evento ficou por conta da banda Collapse
NR, que fez uma apresentação satisfatória e bem técnica, com destaque para o
virtuoso baixista e também para o vocalista, cujos trejeitos, voz e presença de
palco nos remetem muito aos de George CorpseGrinder, frontman do ícone Cannibal
Corpse.
Minutos antes do início do show, o Hangar 110
estava cheio – mas não lotado, como era de se esperar devido à boa divulgação e
também pelo fato de ser um concerto que configurava grande importância para a
banda, pois finalizava uma fase especial para o Torture e serviria como uma
‘celebração’ da banda junto aos seus fãs. Mesmo assim, era possível ouvir os
motivos pela ausência de alguns deles: “fulano não veio porque está trabalhando”
ou “porque vai no de São Bernardo”, explicavam os headbangers conversando entre
si, já garantindo uma presença maior no próximo show da banda, seis dias depois
no ABC.
A massa de bangers fiéis, ao ouvir MMXII, faixa de abertura do Hellbound, já começava a se posicionar
(e, porque não, se esmagar) logo à frente do palco, e a gritar em uníssono pelo
nome da banda, que aos poucos subia ao palco.
Quando o carismático Vitinho soltou o seu
clássico ‘HEADBANGERS!’ no microfone durante os primeiros acordes de Living for the Kill, o público foi ao
delírio e não parou de agitar até que The
Beast Within, também do álbum mais recente, fosse finalizada.
Emendando agora dois clássicos de um álbum consagrado
e muito querido pelos fãs, o Pandemonium,
as faixas Towers on Fire e Horror and Torture permitiram mostrar à
banda quão especial seu público é. Uma das coisas mais legais de se ver em um
show do Torture Squad é, novamente citando, a fidelidade dos fãs. Eles cantam
letras inteiras, brigam por palhetas ou por um simples toque na mão de um dos
seus ídolos, e durante as pausas das músicas é SEMPRE possível ouvir algum
comentário gritado como ‘Torture fudido!’, ‘Castor arregaça’, ‘Amilcar toca pra
caralho!’. Impressionante ver como há tantos headbangers levantando e apoiando
a bandeira do metal nacional com tal paixão!
Outras músicas do Hellbound foram executadas, como Man Behind the Mask, cujo diálogo de introdução parecia ter sido
memorizado por boa parte da platéia, e também In the Cyberwar, cuja condução da bateria de Amílcar no início
desta dispensou qualquer outra forma de introdução à canção.
A ótima Area
51, que não era incluída no set list da banda há um bom tempo (pelo menos
aqui em São Paulo)
foi muito celebrada e teve continuidade com Pandemonium,
ambas as faixas mostrando as principais características da banda: peso que
mesmo mesclado com muita técnica e complexidade consegue empolgar e transformar
músicas em clássicos preciosos para os fãs.
Outra marca registrada do grupo é, e isso
ninguém pode negar, a evolução musical contínua pela qual os membros vêm
passando. Castor conseguiu manter firmes suas notas bem elaboradas mesmo com a
interrupção a cada segundo de algum fã que subia ao palco para dar stage dives –
que foram intensos e ininterruptos, chegando a até atrapalhar alguns dos
músicos e também quem tentava assistir ao show com tranqüilidade (mesmo não
podendo culpar os fãs por se sentirem tão empolgados com o som e a energia da
apresentação, é importante ressaltar que um pouco de bom senso faz bem de vez
em quando!) – e Vitor Rodrigues esbanjava segurança em seus guturais,
variando-os entre os mais agudos ao mais graves possíveis; mas o destaque ficou
para o guitarrista Augusto Lopes que mostrou ter evoluído bastante desde que
entrou na banda, pois executou o set inteiro sem falhas aparentes e ainda
inseriu sua pegada particular às músicas já compostas antes de sua adesão ao
Torture, e, é claro, para o baterista Amílcar Christófaro, que se posiciona no
ranking dos fãs do gênero como um dos melhores do país, por sua técnica somada
à sua pegada bem característica, desta vez inovando com a adição de bumbos
duplos mais rápidos em algumas partes dos sons.
O set list contou com algumas surpresas
agradáveis também. A faixa Twilight for
All Mankind, que contém passagens acústicas, admirou positivamente os fãs,
que certamente nunca imaginaram poder conferi-la em um show e com a
instrumental do violão feita ao vivo, e não com samplers; além disso, tivemos
também uma nova versão para a antiga The
Unholy Spell, contida no tracklist divulgado do vindouro CD da banda, o Aequilibrium que deverá ser lançado em
agosto e foi brevemente introduzido à platéia com a execução de Black Sun, composição inédita que
empolgou bastante (alguns fãs até arriscavam cantar o refrão) e deixou uma
curiosidade enorme em relação ao conteúdo completo do full lenght já aguardado
por todos.
O show foi encerrado com o hino Chaos Corporation, que, cantado em um
coro só pela galera, fechou o set, que tentou equilibrar clássicos de todos os álbuns
(assim como todo show de banda grande, sempre vai ter aquela que ‘faltou’ para
algum fã), com chave de ouro.
E que comece o pandemônio de shows da turnê do
CD novo. Os fãs do Torture Squad querem mais – e em breve!