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[22/07] ROCK BRIGADE confere o Roça’N’Roll, em Varginha/MG

Roça’N’Roll

Fazenda Estrela, Varginha/MG (12/06/10)

 

Texto e fotos por Fernanda Lira

 

Enquanto várias pessoas se preparavam para o Dia dos Namorados, a equipe da Rock Brigade (e milhares de outros headbangers) estava ansiosDSC05708.JPGa para uma comemoração inusitada da data. Nada de buquês de flores e abraços apaixonados, mas sim música. Música muito boa, por sinal. Foi esta data a escolhida para a realização de um dos maiores eventos de rock do país, o Roça N’ Roll. A 12ª edição do festival, que é organizado por Bruno Maia (Braia e Tuatha de Dannan) e sua Cangaço produções, ocorreu, como de costume, na Fazenda Estrela, uma enorme área localizada na cidade de Varginha em Minas Gerais. Contando com vinte bandas, o Roça também é famoso por promover a cultura (havia a presença de autores de livros), entretenimento (campeonato de truco e de air guitar), e ir contra o preconceito entre estilos de rock, pois o cast continha bandas que iam desde hard core, passando por folk e também death metal.

 

Ao chegar ao local, a expectativa só aumentava. Foi um orgulho imenso ver que o metal está tão vivo: antes mesmo de os shows serem iniciados, umas mil pessoas se encontravam do lado de fora curtindo o sol da tarde, enquanto ouviam música nos auto falantes de seus carros, enquanto comiam frango assado ou sanduíches nas barraquinhas externas do festival, ou simplesmente dormiam. Isso mesmo. Afinal, a maioria dos veículos parados no imenso estacionamento era de outros lugares. Boa parte das dezenas de vDSC05717.JPGans e ônibus vinha de outras cidades dentro de Minas, mas também havia metalheads de outros estados, principalmente São Paulo.

 

Um pouco depois do horário previsto as primeiras bandas iniciam o espetáculo, dentre elas a Corpse Grinder, com um thrash/death pesado e bem coeso que agitou o pequeno público que já estava dentro da fazenda. Enquanto os shows de maior destaque não começavam, muitas pessoas participavam e assistiam às eliminatórias do torneio de truco, além de comprar discos, DVDs e camisetas nos estandes de merchandise.

 

A estrutura gringa do festival era formada por dois palcos principais nos quais as bandas se revezavam, a Tenda Aqui o Bixo Pega (mais adiantlothloryen.JPGe vocês vão entender o por quê do nome) e barracas de bebidas e comidas.

 

A quantidade de pessoas foi aumentando ao passo que Lothlöryen, banda de Folk Metal, subiu ao palco. Aparentando ser bem íntima dos fãs, o show foi uma verdadeira festa: várias pessoas subiam ao palco e o público na pista cantava vários trechos das músicas. Para quem gosta do estilo, a banda pode ser uma opção bem satisfatória!

 

Agora voltemos nossa atenção à tenda citada anteriormente. Se trata de um palco bem pequeno coberto por uma tenda no qual, pelo menos nesta edição, apenas bandas com música pesada tocaram. Krusher, um Pantera cover quase botou o lugar abaixo! O lugar ficou tão cheio que pessoas tinham que ver do lado de fora da tenda, quão empolgante era a apresentação da banda. Por que o ‘bixo pega’ ali? Bem, os stage dives e cirlce pits eram intensos e ininterruptos, e até um punhado de garotas entrou no jogo. Logo em seguida, tocou a Bloodown, que mandou um cover surpreendente de Crystal Mountain, hino do Death.

 

hammurabi.JPGVoltando aos palcos principais e dando início a uma (inicialmente) agradável noite, a banda de thrash Hammurabi deu um show de técnica e peso que agradou à grande massa que os acompanhava e foi sucedida, em outro palco, pela banda Kamala, cuja presença de palco é ótima. Houve também a banda Mercuryio, com um metal mais experimental, cujas músicas tinham refrãos tão (positivamente) grudentos, que ficaram por um tempo na ponta da língua de quem perambulava pelo enorme campo da Fazenda Estrela. Além do som com uma pegada bem intensa, beirando o thrash, os integrantes demonstravam claramente quão satisfeitos estavam em tocar ali.

 DSC05733.JPG

Após uma breve pausa, era a hora do hard core old school tomar conta da multidão. Logo à frente do palco, havia um público um pouco diferenciado do que nos outros shows, que ostentavam trajes punk e mostraram quão grande era sua paixão pelo estilo: enquanto o som saísse dos amplificadores do Agrotóxico, haveria gente no palco. Apesar da estrutura sem muito alta, os fãs se ajudavam e, após subir e agitar alguns segundos com a banda, se jogavam fervorosamente no público, o que não agradou muito a produção do evento, que inclusive solicitou ao vocalista para que pedisse um pouco mais de ‘calma’ aos fãs.

 

A produção, aliás, se encarregou de muita coisa, e esse é um ponto muito positivo DSC05790.JPGno evento. Sempre com o cuidado de apresentar devidamente cada banda que subiria ao palco, ele ainda dava informações sobre ‘achados e perdidos’, sobre o clima previsto para a noite e também dava recados que os headbangers pediam, sempre de forma muito bem humorada, como quando anunciou ao microfone “Fulano, seu irmão caiu no brejo, se molhou, e espera por roupas secas na enfermaria!”.

 

No palco 1, ouviam-se os primeiros acordes da Unliver, banda que além ter o público na mão toda vez que pediam por uma roda, parecia ter homenageado a unliver.JPGfama da cidade na qual estavam tocando, pois o tecladista executou todas as músicas com uma (pelo menos pra mim, assustadora) máscara de extraterrestre.

 

Um dos grandes ícones da velha guarda do rock nacional davam as caras no segundo palco, arrancando coros altíssimos dos fãs, realmente FÃS da banda. Com breves discursos bem interessantes sobre a importância do rock, o Salário Mínimo fez umas das mais empolgantes apresentações.

 

salario minimo.JPGUma coisa que não tem como não ser citada em uma resenha sobre o Roça, é o frio. Por causa de sua localização afastada do centro da cidade, e pelo fato de haver um rio ao lado da fazenda, o clima frio era incrivelmente intenso. Pense no maior frio que você já passou. Multiplique por dois e terá MUITO frio. Multiplique por mais três e terá idéia do frio polar que só não castigava mais os fãs, porque eles estavam muito bem ‘equipados’ com blusas, bebidas, e cobertores. Mesmo durante os shows, pessoas bangueavam envoltas em cobertores, enquanto os membros de várias bandas soltavam seus comentários do tipo “Tá um frio do cara%$&*¨#@ hoje, hein?”.

 

Uma boa opção para fazer o frio passar, era dançar com o folk maravilhoso do Tuatha de Dannan. Sendo uma das atrações mais esperadas da noite, a já renomada banda fez um show ótimo, mesclando músicas de todos os seus trabalhos e até executando um som novo, que, segundo Berne, havia sido composto ‘após uma belíssima viagem em São Tomé das Letras”. Seja lá qual tenha sido a inspiração para a canção, tinha dado muito certo. Aplaudidos, deixaram o palco ao passo que era anunciada uma outra banda bastante esperada na noite e quem vem tuatha.JPGganhando bastante destaque na cena nacional, o Ravenland. Apesar de alguns deslizes na altura no som e na execução das músicas, a banda, cujos vocais feminino e masculino se revezavam e esbanjavam simpatia, fez uma apresentação bem interessante, deixando uma forte marca em quem assistia o show, que era todo climatizado graças a uma ótima iluminação.

 

O maior público para um show no festival se acumulava agora em frente ao palco 1. Entre um show e outro podia-se ver muitas pessoas com camisas e comentando ansiosamente sobre o grupo que estava para começar o show. O Torture Squad, que já pisou em em território europeu diversas vezes, inclusive para tocar, como o Tuatha, no maior festival de metal do mundo, o Wacken Open Air, nunca havia participado das edições anteriores do Roça N’ Roll e a expectativa dos fãs era enorme. Durante o longo tempo que a equipe levou para ajustar o som e os instrumentos no palco, os headbangers gritavam o nome da banda em coro sem parar. Após abrir com a intro do CD Hellbound, a banda tocou Living for the Kill e durante o set surpreendeu tocando Twilight for all torture.JPGMankind, que tem alguns acordes acústicos, além de uma nova versão para a já clássica The Unholy Spell e também uma do vindouro álbum AEquilibrium, chamada Black Sun. A resposta ao show como sempre excelente da banda foram refrãos inteiros entoados pelo público, além de intensos bate-cabeça.

 

Mesmo toda agitação durante o ótimo show do Torture não era suficiente para conter o frio da galera, que, a essa altura, havia arrancado a cerca de bambu da casa do caseiro da fazenda INTEIRA e transformado-a em lenha para as diversas fogueiras, que aqueciam os grupos de pelo menos vinte pessoas ao redor delas.

 

Toda a melodia e técnica de Rafael Bittencourt e sua banda, o Bittercourt Project, marcaram presença com um show que agradou não só os fãs de metal melódico, mas principalmente, aqueles que curtem música bem feita. O profissionalismo do grupo é impressionante, assim como do Almah, a banda seguinte no palco. Edu Falaschi adaptou bem seus vocais (muitas vezes criticado) ao estilo, que cadencia passagens mais melódicas com pesadas, de forma bem interessante.agrotoxico.JPG

 

Após tantas atrações de grande porte, o festival fecha com as últimas, porém não menos importantes, Murder Ride tocando alguns covers do Sepultura e com o black metal da paulista Agouro.

 

No geral, o festival provou o porque de ser tão tradicional e mais forte a cada ano que passa. Com iniciativas como esta, que apóiam a música nacional e atrai a atenção de headbangers de todas as idades é que o metal e o rock se eternizam. Long live Roça N’ Roll!kamala.JPGravenland.JPG

 
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